EMULAÇÃO: do "lat. aemulatione" s.f. estímulo, incentivo.

NOTAS SOBRE O CHAMADO RITO DE YORK

Antes de continuar na exposição, assinalaremos que o Rito de Emulação ou Reconciliação não é aquele mal chamado Rito de York praticado majoritariamente nos Estados Unidos. Devemos partir por tanto afirmando que o Rito de York, no simbolismo, como tal, não existe em lugar nenhum.

Rito de Emulação

Nos Estados Unidos as lojas simbólicas trabalham com o chamado Rito Americano que é o Rito de Emulação inglês ligeiramente modificado por Thomas Webb e de certa maneira por seu seguidor Jeremy Cross, em começos de 1800. O Simbolismo nos Estados Unidos é conhecido sob o nome de "blue lodges" ou dizendo melhor, Lojas Azuis.

Thomas Webb inspirou-se nas conferências que sobre o Rito de Emulação proferiu William Preston na Inglaterra.

O Mestre que quer progredir tem dois caminhos a escolher:

  • O Rito de York com três etapas: O Real Arco, que tem quatro graus, o Conselheiro, que tem dois graus e o o Cavalheiro Templário, com um único grau.</li>
  • O Rito Escocês é composto de 30 graus superiores.</li>

Por tanto as Lójas simbólicas praticam o Rito Americano que não tem nada que ver com o Rito E.A.A. exceto em alguma coisa do tipo geral, a que por outro lado tem uma grande semelhança com o Rito de Emulação inglês.

Por exemplo, em primeiro grau:

  • Não existe câmara de reflexão</li>
  • Não se praticam as provas dos quatro elementos</li>
  • As viagens são simples passeios ao redor do templo em quanto o capelão pratica uma reza ou oração.</li>
  • Não se fazem perguntas ao candidato</li>
  • As ferramentas são diferentes. Não se usa escopo ou cinzel.</li>
  • No segundo e terceiro graus também existem diferenças importantes com o R.E.A.A.</li>

Nos Estados Unidos pratica-se muito pouco o R.E.A.A. no simbolismo.

Segundo informações recolhidas, só a G.L. de Luisiana com 10 lojas e por influencia francesa o faz.

Finalmente diremos que no México existe uma G. L. chamada de York mas o Rito que pratica é o da G.L. da Califórma ou o Americano e em idioma inglês.

Continuando com nossa exposição sobre o Rito de Emulação diremos que se tem evidencias indiretas, por tanto não se pode falar de um fato comprovado, que desde antes do ano 1600, na Escócia, admitiam-se maçons especulativos e também chamados aceitos em Lojas Operativas.

Em todos os documentos anteriores a 1700 a referentes a atuação em loja, existem as seguintes coincidências

  • A abertura de Loja realiza-se com uma oração</li>
  • Faz-se referencia à história bíblica-legendária das origens da Maçonaria</li>
  • Inclui-se um código de normas morais para Mestres, Companheiros e Aprendizes</li>
  • Exige-se a assistência obrigatória nas assembléias</li>
  • Detalha-se um procedimento de penalização</li>
  • Detalha-se um procedimento de admissão incluindo um juramento de fidelidade.</li>

Com anterioridade a 1717, em essência, a iniciação era simples:

  • Juramento de fidelidade e secreto</li>
  • Recepção de palavra, sinal e toque</li>
  • O ritual tinha pouca carga simbólica.</li>

As grandes mudanças ritualísticas produzem-se a principios de 1800, sobre tudo na instalação de V.M. ( Venerável Mestre ).

A princípios de 1800 criou-se, na Inglaterra, a chamada Loja de Promulgação cuja missão foi estudar os rituais das GGLL. inglesas antes da União a as condições da mesma. A seguir será a Loja de Reconciliação a que criará um ritual único que é o atual de Emulação. Dignificam-se as cerimonias. Separam-se o trabalho na Loja, da ingestão de alimentos e bebidas. Exige-se um lugar específico de reunião. Aceita-se o Real Arco e a instalação iniciatica dos VV.MM.. Estabelece-se a separação total entre simbolismo ( os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre ) e outros graus, entre outras normas.

O princípio fundamental do Rito é que ninguém tem o direito de variar o Ritual, nem com respeito ao texto nem com respeito ao uso.

Decisão importante, para que proliferara o Rito de Emulação, foi a consagração em 1823 da Loja de Aperfeiçoamento de Emulação "Emulation Lodge of Improvement", que até o dia de hoje funciona como Loja de Demonstração do Rito e é guardiã de pureza, pois tem também como missão a busca e investigação constante das fontes maçônicas assim como procurar manter inalterado o Ritual aprovado em 1816.

O Rito obriga o trabalho introspectivo de cada um consigo mesmo para a construção do Templo interior e a buscar no próprio texto do Ritual o último significado do simbolismo e da alegoria. Se é o aprendiz eterno.

Em Loja aberta esta proibido o debate de trabalhos maçônicos, para isso existem os chamados círculos de grau onde os Aprendizes com o segundo vigilante, os companheiros com o primeiro vigilante e os mestres com o venerável filosofam maçonicamente com a proibição expressa de tratar, direta ou indiretamente, assuntos religiosos ou políticos. Os temas a tratar versarão sobre : História, Filosofia, Simbolismo, Ritualistica, Semântica, Ciências e Artes.

Em muitas lojas suspendem-se os trabalhos momentaneamente para ser lida a prancha realizada por um irmão porem sem possibilidade de debate, e, continuando, se recomeça o trabalho de loja.

Neste Rito é obrigada a assistência à ceia que se celebra depois da sessão e que sempre começa com uma oração de graças ao G.A.D.U. pelos alimentos que vão ser ingeridos. Nesta ceia debate-se a prancha que poderia ter lido em loja um irmão e atua de moderador um Past Master designado pelo V.M. ou o próprio V.M. Durante a ceia realizam-se diferentes brindes sempre dirigidos pelo moderador.

Existe a obrigação de realizar três brindes: um pelo Chefe do Estado, outro pelos Governantes que protegem a Franco-maçonaria no mundo, e um terceiro pelo G.M. da Grande Loja.

Ao final, antes dos irmãos levantarem da mesa, o Past Master Imediato situa-se em pé por trás do V.M. e colocando sua mão esquerda sobre o ombro esquerdo do V.M. realiza um brinde por todos os maçons, pobres ou na desolação, que estejam espalhados sobre a superfície da Terra ou dos mares, por um rápido alívio a seus sofrimentos e um rápido regresso a seu país natal, se assim o desejam.

O Ritual se aprende de memória, em todos os graus, pois se considera impróprio ler o mesmo durante a sessão, inclusive as exortações que faz o V.M. no passe de cada grau.

As votações de admissões, já seja para V.M., Tesoureiro e Guarda Exterior são secretas, sendo muito usual utilizar bolas brancas e negras para definir o voto.

Além do Ritual existem para cada um dos três Graus as chamadas "Leituras de Emulação" que na realidade são um questionário extenso de perguntas e respostas que cada irmão deve aprender de memória e não esquecer.

Cada Loja deste Rito, com a devida autorização, pode constituir uma Loja de Instrução a que pertencem só os Mestres e para a prática do Rito.

Neste Rito não existe a figura do Orador. O V.M. é portador da Luz e por tanto em sessão aberta ninguém pode impedir suas decisões. No caso em que sua atuação fosse porventura irregular cabe denuncia imediata ante a Autoridade Maçônica superior.

Suponhamos uma sessão em grau de Mestre. Constarão os seguintes pontos:

Entrada em processão de ritualística de V.M. acompanhado, por esta ordem: Diretor de Cerimonias, I° e 2° VV., VM. e Past Master Imediato. É recebido em Loja por todos os irmãos em pé e em silêncio sem sinal algum. Música de fundo enquanto avança até o trono de Salomão, normalmente de Mozart.</li>

  • Abertura dos trabalhos em grau de Aprendiz.
  • Leitura da convocatória com a ordem do dia pelo secretário.
  • Leitura, votação e aprovação, se assim procede, da ata de sessão anterior.
  • Apresentação de escusas dos irmãos ausentes.
  • Apresentação, em seu caso, de Grandes Dignitários e visitantes.
  • Saída de Aprendizes. ( Um Past Master ficará com eles para o debate de um tema de seu agrado )
  • Abertura de trabalhos no grau de companheiro.</li>
  • Saída de companheiros. ( Outro Past Master ficará com eles para o debate de temas de seu agrado )
  • Abertura de trabalho em 3° grau.
  • Encerramento de trabalho em 3° grau.
  • Reassumir trabalho em 2° grau e entrada de companheiros
  • Encerramento de trabalhos em 2° grau.
  • Reassumir trabalhos em 1° grau e entrada de aprendizes.
  • Proposições a bem da maçonaria (1º Grande Loja e leitura de Decretos ou Comunicações, 2º G.L. Provincial com igual fim e 3º assunto da própria Loja, momento em que qualquer membro pode pedir a palavra )
  • Apresentações de saudações.
  • Circulação da bolsa de beneficência.
  • Saída de Grandes Dignitários.
  • Encerramento de trabalhos em 1º grau.
  • Saída em processão ritualística (igual à de entrada ) do V. M. acompanhado de seus oficiais, com todos os irmãos em pé, sem sinal, em silêncio e com uma música de fundo.

No Rito de Emulação ou Reconciliação não existem mais graus que os praticados no simbolismo: Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Quando um Mestre pertence ao REAL ARCO DE JERUSALEM não adquire um novo grau pois unicamente haverá aperfeiçoado o 3° grau. No Real Arco trabalha-se em capítulos que dependem do Supremo Grande Capítulo Nacional que por sua vez está regido pelo G.M. da Grande Loja sob denominação do Soberano Grão Sumo Sacerdote, Primeiro Grão Principal.

Partindo por tanto da base de que este Rito carece de graus progressivos ao reconhecermos que tem os chamados corpos e ordens colaterais, que em alguns casos umas são excludentes de outras. Em todos os casos requer-se possuir o 3° grau e em alguns ser Cristão como é o caso de: Cavaleiros do Templo e Malta, Ordem da Cruz Vermelha de Constantino, Cavaleiro Sacerdote Templário e Ordem de Erin.

Com o Real Arco de Jerusalém são 12 Corpos ou Ordens e são por ordem cronológica os seguintes:

Ano 1741 REAL ORDEM DA ESCOCIA.

Ano 1744 SUPREMO GRANDE CAPITULO DO REAL ARCO DE JERUSALEM. Seu Ritual trata fundamentalmente da construção do segundo templo, da Palavra Perdida e das relações do homem com o G.A.D.U.

Ano 1750 GRANDE LOJA DOS MESTRES MAÇONS DE MARCA. Seu Ritual trata de um incidente sofrido durante a construção do Templo.

Em 1772 criou-se um segundo grau chamado NAUTA DA ARCA REAL e seu Ritual trata da história bíblica sobre Noé e sua arca.

Ano 1777 GRANDE PRIORATO DAS ORDENS UNIDAS, RELIGIOSAS, MILITARES E MAÇÔNICAS DO TEMPLO, DE SÃO JOÃO DE JERUSALEM, PALESTINA, RODAS E MALTA. Tem dois graus, primeiro Temple e logo Malta, com um intermédio ou de passe que é cavaleiro de São Paulo. É necessário ser Cristão e pertencer ao Real Arco. Reúnem-se em preceptorias e prioratos. O Ritual do Templo trata do peregrino que simbolicamente sofre penalidades e perigos até que é armado Cavaleiro e deve provar sua vida virtuosa e sua humildade. O Ritual de Malta trata da história dos Cavaleiros Hospitaleiros da Palestina e Malta, dando ênfase às virtudes cristãs.

Ano 1871 REAL e SELETO MESTRE ou Rito Críptico. Deve-se ser membro do Real Arco e Mestre Maçom de Marca. Consta de quatro graus Excelente Mestre, Mestre Real, Mestre Seleto, Super Excelente Mestre. Seu Ritual trata da construção do templo de Salomão e sua primeira destruição.

Ano 1875 ORDEM DO MONITOR SECRETO. Também chamada ORDEM DE DAVID E JONATHAN. Consta de três graus : Monitor Secreto, Príncipe e Supremo Soberano. Seu Ritual trata da história de David e Jonathan : a beleza da amizade e fidelidade.

Ano 1879 ORDEM DOS GRAUS MAÇÔNICOS ALIADOS. Consta de cinco graus : São Lourenço o Mártir, Cavaleiro de Constantinopla, Grande Guarda de Salomão, Cruz Vermelha da Babilônia e Supremo Sacerdote. Deve-se pertencer ao Real Arco e ser Mestre Maçom de Marca. Seu Ritual baseia-se na história da vida de São Lourenço o Mártir, sobre tudo sua força e fidelidade. E também na de Constantino, estuda-se sua humildade, equidade, justiça e misericórdia.

Ano 1875 ORDEM DA CRUZ VERMELHA DE CONSTANTINO. Ritual baseado na vida de Constantino, estuda-se sua humildade, equidade, justiça e misericórdia.

Ano 1913 SOCIEDADE DE MAÇONS OPERATIVOS (paramaçônica ).

Ano 1923 CAVALHEIRO SACERDOTE TEMPLARIO. Ritual baseado nos ideais cristãos da vida.

ORDEM DA LUZ.

ORDEM DE ERIN.

Tradução e adaptação de um original em espanhol pelo IR : . Erasmo Figueira Chaves Para a Loja AUG.'. e RESP .'. LOJ .'. SIMB .'. "LUZ de LUXOR n° 531"


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